"A educadora Francisca Paula Toledo Monteiro trabalha com alfabetização e letramento na Divisão de Educação Infantil e Complementar da Unicamp. É professora de crianças na educação complementar que estão em processo de alfabetização de seis a sete anos, num trabalho de educação não formal, mas voltado ao letramento e à alfabetização. Em seu mestrado, apresentado à Faculdade de Educação (FE), há alguns anos, ela abordou as diferenças e subjetividades na educação, tendo como foco o fracasso escolar. À época, ela questionou: de quem afinal é o fracasso? Francisca atua com alfabetização desde os 17 anos e se confessa uma apaixonada pelo assunto. Ela foi partícipe e se lembra muito de quando foi alfabetizada e garante que a alfabetização avançou muito. Hoje não encerra mais a concepção de que quem ensina é o professor e de quem aprende é o aluno. É preciso antes, salienta a professora, conhecer o mundo. A educadora discutiu longamente a sua experiência e relatou que a tendência atual é o desuso da letra cursiva, ou de mão, em favor da letra bastão, que está largamente distribuída no mundo: nos computadores, nos outdoors, nas faixas, nos painéis, nos comunicados e na correspondência comercial. Em entrevista ao Portal Unicamp, Francisca comenta os desafios do professor e o importante papel da criança como protagonista no processo, como leitora e como coautora de sua própria história. [...]"
Continue lendo: http://www.unicamp.br/unicamp/noticias/2013/05/29/alfabetizacao-letra-bastao-tende-substituir-letra-de-mao
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
Inscrição do SEPESQ
domingo, 17 de fevereiro de 2013
Ano letivo começa com o pacto pela alfabetização até os 8 anos de idade em 89,9% do país
Mariana Tokarnia
Repórter da Agência Brasil
Brasília - O ano letivo começa hoje (14) em grande parte das escolas públicas do país. Junto com as aulas, tem início também o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (Pnaic). Ao todo, 4.997 municípios dos 26 estados mais o Distrito Federal concluíram o processo de adesão ao pacto até dezembro de 2012, o que representa 89,8% dos municípios do país. Outros 328 aderiram parcialmente, não concluíram o processo de adesão ou não se manifestaram. Apenas oito optaram por não firmar o acordo que tem como objetivo assegurar que todas as crianças estejam alfabetizadas até os 8 anos de idade, ao final do 3º ano do ensino fundamental.
Para que o Pnaic seja implementado, desde o anúncio do pacto, em novembro do ano passado, o Ministério da Educação (MEC) trabalha na formação de uma rede que envolve estados, municípios, universidades e escolas na capacitação, ensino e avaliação da fase que compreende o ciclo da alfabetização: 1º, 2º e 3º anos da educação básica.
Um total de 37 universidades públicas é responsável pela formação dos orientadores de estudo que por sua vez serão responsáveis pela capacitação dos professores alfabetizadores. De acordo com o calendário proposto pelo MEC, a formação dos orientadores acontece desde dezembro do ano passado em alguns estados. Até março a primeira etapa da formação - 40 horas do total de 400 horas, 200 por ano até 2014 - será concluída e será a vez dos professores receberem as aulas - com carga horária de 120 horas por ano.
"O Pnaic é um projeto nacional firmado com todos os entes federativos. Cada um tem uma responsabilidade grande para que o processo de alfabetização seja bem sucedido. Com o plano, haverá um diálogo nacional. Ao mesmo tempo é importante que saibamos guardar as especificidades de cada localidade e que os professores possam criam em cima do material disponível", diz Regina Aparecida Marques de Souza, coordenadora do Grupo de Estudos em Letramento em Educação da Infância e do programa na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS).
A UFMS programou a formação dos orientadores para o período de 4 a 8 de março. São esperados 245 professores formadores que partirão para os municípios a fim de capacitar os 5.238 professores alfabetizadores da rede pública do estado. Assim como a UFMS, outras nove universidades com as quais a Agência Brasil entrou em contato estão otimistas com o pacto.
O material para a capacitação, desenvolvido pela Universidade de Pernambuco (UFPE) com a colaboração de 11 instituições de ensino superior foi elogiado pelos coordenadores do pacto. O material, no entanto está disponível apenas na versão digital. "O material só foi liberado na versão final no início de janeiro de 2013. Muito tarde para conseguir cópias impressas para as primeiras formações", diz o coordenador-geral do Pnaic na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Jaylson Teixeira. Na universidade, a formação dos primeiros 442 orientadores vai do dia 18 ao dia 22 de fevereiro. Eles serão responsável pela formação dos docentes de 155 municípios.
A Universidade Federal de Sergipe (UFS) tomou a iniciativa de complementar o material com slides e vídeos, para facilitar a absorção do conteúdo. A primeira etapa do curso de capacitação já foi realizada pela universidade do dia 28 ao dia 30 de janeiro e nos dias 5 e 6 de fevereiro, totalizando as 40 horas previstas. Para o professor e líder do Grupo de Estudo e Pesquisa em Alfabetização, Discurso e Aprendizagens (Geadas) da UFS, José Reicardo Carvalho, "a capacitação ainda está no início, estamos observando".
De acordo com o Censo Escolar de 2011 do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), no qual se baseia o planejamento do Pnaic, há cerca de 380 mil docentes lecionando do 1º ao 3º anos do ensino fundamental, que devem ser capacitados e receber um material desenvolvido para auxiliar no planejamento das aulas. Para cada grupo de 25 professores está previsto um orientador. O MEC estima que serão cerca de 18 mil orientadores.
O Pacto receberá investimento de R$ 3,3 bilhões em dois anos. Para incentivar a participação dos profissionais serão oferecidas bolsas de R$ 200 mensais para o professor alfabetizador; R$ 765 para o orientador de estudo; R$ 765 para o coordenador das ações do pacto nos estados, Distrito Federal e municípios; R$ 1.100 para o formador da instituição de ensino superior; R$ 1.200 para o supervisor da instituição de ensino superior; R$ 1.400 para o coordenador adjunto da instituição de ensino superior; e R$ 2.000 para o coordenador-geral da instituição de ensino superior.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 2000 e 2010, a taxa de analfabetismo no Brasil, até os 8 anos de idade, caiu 28,2%, com variações entre os estados da federação, e alcançou, na média nacional, uma taxa de alfabetização de 84,8% das crianças. Entre as regiões, existe uma diferença na taxa de analfabetismo, a maior está no Nordeste, 25,4%, seguido do Norte, 27,3%, Centro-Oeste, 9%, Sudeste, 7,8% e Sul, 5,6%. O estado com a maior taxa de analfabetismo é Alagoas, 35%, e o com a menor é o Paraná, com 4,9%.
Edição: Tereza Barbosa
Todo o conteúdo deste site está publicado sob a Licença Creative Commons Atribuição 3.0 Brasil. Para reproduzir as matérias é necessário apenas dar crédito à Agência Brasil.
Fonte: http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-02-14/ano-letivo-comeca-com-pacto-pela-alfabetizacao-ate-os-8-anos-de-idade-em-899-do-pais
Repórter da Agência Brasil
Brasília - O ano letivo começa hoje (14) em grande parte das escolas públicas do país. Junto com as aulas, tem início também o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (Pnaic). Ao todo, 4.997 municípios dos 26 estados mais o Distrito Federal concluíram o processo de adesão ao pacto até dezembro de 2012, o que representa 89,8% dos municípios do país. Outros 328 aderiram parcialmente, não concluíram o processo de adesão ou não se manifestaram. Apenas oito optaram por não firmar o acordo que tem como objetivo assegurar que todas as crianças estejam alfabetizadas até os 8 anos de idade, ao final do 3º ano do ensino fundamental.
Para que o Pnaic seja implementado, desde o anúncio do pacto, em novembro do ano passado, o Ministério da Educação (MEC) trabalha na formação de uma rede que envolve estados, municípios, universidades e escolas na capacitação, ensino e avaliação da fase que compreende o ciclo da alfabetização: 1º, 2º e 3º anos da educação básica.
Um total de 37 universidades públicas é responsável pela formação dos orientadores de estudo que por sua vez serão responsáveis pela capacitação dos professores alfabetizadores. De acordo com o calendário proposto pelo MEC, a formação dos orientadores acontece desde dezembro do ano passado em alguns estados. Até março a primeira etapa da formação - 40 horas do total de 400 horas, 200 por ano até 2014 - será concluída e será a vez dos professores receberem as aulas - com carga horária de 120 horas por ano.
"O Pnaic é um projeto nacional firmado com todos os entes federativos. Cada um tem uma responsabilidade grande para que o processo de alfabetização seja bem sucedido. Com o plano, haverá um diálogo nacional. Ao mesmo tempo é importante que saibamos guardar as especificidades de cada localidade e que os professores possam criam em cima do material disponível", diz Regina Aparecida Marques de Souza, coordenadora do Grupo de Estudos em Letramento em Educação da Infância e do programa na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS).
A UFMS programou a formação dos orientadores para o período de 4 a 8 de março. São esperados 245 professores formadores que partirão para os municípios a fim de capacitar os 5.238 professores alfabetizadores da rede pública do estado. Assim como a UFMS, outras nove universidades com as quais a Agência Brasil entrou em contato estão otimistas com o pacto.
O material para a capacitação, desenvolvido pela Universidade de Pernambuco (UFPE) com a colaboração de 11 instituições de ensino superior foi elogiado pelos coordenadores do pacto. O material, no entanto está disponível apenas na versão digital. "O material só foi liberado na versão final no início de janeiro de 2013. Muito tarde para conseguir cópias impressas para as primeiras formações", diz o coordenador-geral do Pnaic na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Jaylson Teixeira. Na universidade, a formação dos primeiros 442 orientadores vai do dia 18 ao dia 22 de fevereiro. Eles serão responsável pela formação dos docentes de 155 municípios.
A Universidade Federal de Sergipe (UFS) tomou a iniciativa de complementar o material com slides e vídeos, para facilitar a absorção do conteúdo. A primeira etapa do curso de capacitação já foi realizada pela universidade do dia 28 ao dia 30 de janeiro e nos dias 5 e 6 de fevereiro, totalizando as 40 horas previstas. Para o professor e líder do Grupo de Estudo e Pesquisa em Alfabetização, Discurso e Aprendizagens (Geadas) da UFS, José Reicardo Carvalho, "a capacitação ainda está no início, estamos observando".
De acordo com o Censo Escolar de 2011 do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), no qual se baseia o planejamento do Pnaic, há cerca de 380 mil docentes lecionando do 1º ao 3º anos do ensino fundamental, que devem ser capacitados e receber um material desenvolvido para auxiliar no planejamento das aulas. Para cada grupo de 25 professores está previsto um orientador. O MEC estima que serão cerca de 18 mil orientadores.
O Pacto receberá investimento de R$ 3,3 bilhões em dois anos. Para incentivar a participação dos profissionais serão oferecidas bolsas de R$ 200 mensais para o professor alfabetizador; R$ 765 para o orientador de estudo; R$ 765 para o coordenador das ações do pacto nos estados, Distrito Federal e municípios; R$ 1.100 para o formador da instituição de ensino superior; R$ 1.200 para o supervisor da instituição de ensino superior; R$ 1.400 para o coordenador adjunto da instituição de ensino superior; e R$ 2.000 para o coordenador-geral da instituição de ensino superior.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 2000 e 2010, a taxa de analfabetismo no Brasil, até os 8 anos de idade, caiu 28,2%, com variações entre os estados da federação, e alcançou, na média nacional, uma taxa de alfabetização de 84,8% das crianças. Entre as regiões, existe uma diferença na taxa de analfabetismo, a maior está no Nordeste, 25,4%, seguido do Norte, 27,3%, Centro-Oeste, 9%, Sudeste, 7,8% e Sul, 5,6%. O estado com a maior taxa de analfabetismo é Alagoas, 35%, e o com a menor é o Paraná, com 4,9%.
Edição: Tereza Barbosa
Todo o conteúdo deste site está publicado sob a Licença Creative Commons Atribuição 3.0 Brasil. Para reproduzir as matérias é necessário apenas dar crédito à Agência Brasil.
Fonte: http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-02-14/ano-letivo-comeca-com-pacto-pela-alfabetizacao-ate-os-8-anos-de-idade-em-899-do-pais
O fim da caneta
É preciso se preocupar com a perda do nosso hábito de escrever à mão? O autor Philip Hensher diz que sim
Vale a pena preservar a escrita à mão? A resposta é menos óbvia do que se pensa. Claro que você continua a rabiscar listas de coisas a fazer ou pequenos bilhetes que deixa no balcão da cozinha. Talvez faça anotações à mão nas reuniões. Mas qual foi a última vez que preencheu uma página de papel inteira com frases ininterruptas tentando expressar um argumento ou defender um ponto de vista? Qual foi a última vez que usou caneta e papel para escrever e não só para anotar?
O livro The Missing Ink (A Tinta Desaparecida, em tradução livre, sem edição brasileira), do britânico Philip Hensher, faz uma defesa que provavelmente demorou demais para sair. Com o subtítulo “A Arte Perdida da Caligrafia”, o livro é parte um lamento, parte obituário e parte um grito de guerra a uma forma de escrita que vem definhando.
Numa era em que textos e notas são digitados em tablets, estamos perdendo a habilidade necessária para escrever à mão e com rapidez uma frase que seja ao mesmo tempo inteligível e atraente. O tempo dedicado ao ensino da caligrafia nas escolas diminuiu. Por isso, Hensher inicia o livro com uma pergunta dolorosa: “Devemos nos preocupar? Devemos aceitar que a escrita à mão é uma habilidade do passado? Ou ela tem um valor que nunca será substituído pelo mundo digitalizado?”.
Hensher tem interesse nessa briga. No livro, ele faz referência aos capítulos que esboçou à mão – um processo incompreensível para alguém que, como eu, chega a digitar seu texto no iPhone às 4h58 da madrugada. Mas Hensher é um homem que escreve à mão com uma letra elegante. Ele usa papel para escrever e tem até uma marca preferida de caneta-tinteiro. Em outras palavras, ele é bem diferente de muitos dos homens modernos.
Mas compartilho da preocupação dele sobre a “arte perdida da escrita à mão”. Quando vejo meus rabiscos indecifráveis percebo que não posso mais dizer que tenho uma caligrafia definida. Ela muda de letra cursiva para letra de forma conforme a necessidade. E quando revejo os 42 blocos de notas que preenchi nos anos trabalhando como jornalista na revista Slate, eles parecem diários de uma louca – uma mistura sem consistência de estilos. Isso é preocupante diante da ênfase de Hensher de que tudo o que escrevemos, de certa forma, é a expressão de nós mesmos.
The Missing Ink tem um capítulo divertido sobre a análise da escrita à mão e está repleto de observações e enigmas interessantes. Hensher observa na introdução que não consegue reconhecer a caligrafia dos seus amigos mais íntimos e que nunca viu textos escritos à mão por eles.
Mas o que ele enfatiza no livro é como é breve e infeliz a história da escrita à mão. Antes da revolução industrial, a habilidade era restrita à elite. Com o desenvolvimento do comércio, uma classe de trabalhadores passou a frequentar escolas de caligrafia para escrever de maneira clara, correta e com rapidez.
A primeira escola de caligrafia teve como modelo o ensino da gravura e os alunos eram incentivados a contemplar formas bem definidas de escrita, como “um ‘o’ perfeitamente redondo”. Depois surgiram outras formas de ensino, como o método Palmer, de estilo cursivo. Hoje ele parece rebuscado, mas seu objetivo na verdade era desenvolver a rapidez e a naturalidade.
As informações históricas são fascinantes e têm um ponto em comum. Toda inovação da escrita manual teve por finalidade aprimorar a velocidade e clareza da comunicação humana. E é aí que a quixotesca defesa de Hensher tropeça. Pois o que é mais rápido e mais claro do que digitar? Não é mais fácil entender e prestar atenção quando você está diante de um texto bem definido como este? A escrita à mão não é a maneira mais clara de comunicação quando o objetivo é expressar o que temos em mente e sermos compreendidos.
Isso significa que a única defesa da escrita à mão é nostálgica. Ainda hoje é maravilhoso receber uma carta que foi fisicamente tocada e trabalhada pelo remetente. Talvez as mesmas pessoas que condenam a era digital em breve adotarão a escrita à mão em massa. Eu certamente vou continuar escrevendo bilhetes assim de vez em quando. Mas é preciso admitir: cultivar a caligrafia será um hobby como o tricô. Nossos filhos precisam aprender a escrever na escola, mas provavelmente não precisarão escrever à mão.
Hensher conclui com um apelo para mantermos viva a escrita à mão. “Continuar diminuindo o espaço da escrita à mão nas nossas vidas é diminuir, de maneira limitada, mas real, a nossa humanidade”, diz. Num mundo em que a digitação predomina, talvez nossa humanidade fique ainda mais aparente: seremos julgados não pela habilidade manual com uma caneta, mas pelo que dizemos. /TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO
Fonte: http://blogs.estadao.com.br/link/o-fim-da-caneta/
Vale a pena preservar a escrita à mão? A resposta é menos óbvia do que se pensa. Claro que você continua a rabiscar listas de coisas a fazer ou pequenos bilhetes que deixa no balcão da cozinha. Talvez faça anotações à mão nas reuniões. Mas qual foi a última vez que preencheu uma página de papel inteira com frases ininterruptas tentando expressar um argumento ou defender um ponto de vista? Qual foi a última vez que usou caneta e papel para escrever e não só para anotar?
O livro The Missing Ink (A Tinta Desaparecida, em tradução livre, sem edição brasileira), do britânico Philip Hensher, faz uma defesa que provavelmente demorou demais para sair. Com o subtítulo “A Arte Perdida da Caligrafia”, o livro é parte um lamento, parte obituário e parte um grito de guerra a uma forma de escrita que vem definhando.
Numa era em que textos e notas são digitados em tablets, estamos perdendo a habilidade necessária para escrever à mão e com rapidez uma frase que seja ao mesmo tempo inteligível e atraente. O tempo dedicado ao ensino da caligrafia nas escolas diminuiu. Por isso, Hensher inicia o livro com uma pergunta dolorosa: “Devemos nos preocupar? Devemos aceitar que a escrita à mão é uma habilidade do passado? Ou ela tem um valor que nunca será substituído pelo mundo digitalizado?”.
Hensher tem interesse nessa briga. No livro, ele faz referência aos capítulos que esboçou à mão – um processo incompreensível para alguém que, como eu, chega a digitar seu texto no iPhone às 4h58 da madrugada. Mas Hensher é um homem que escreve à mão com uma letra elegante. Ele usa papel para escrever e tem até uma marca preferida de caneta-tinteiro. Em outras palavras, ele é bem diferente de muitos dos homens modernos.
Mas compartilho da preocupação dele sobre a “arte perdida da escrita à mão”. Quando vejo meus rabiscos indecifráveis percebo que não posso mais dizer que tenho uma caligrafia definida. Ela muda de letra cursiva para letra de forma conforme a necessidade. E quando revejo os 42 blocos de notas que preenchi nos anos trabalhando como jornalista na revista Slate, eles parecem diários de uma louca – uma mistura sem consistência de estilos. Isso é preocupante diante da ênfase de Hensher de que tudo o que escrevemos, de certa forma, é a expressão de nós mesmos.
The Missing Ink tem um capítulo divertido sobre a análise da escrita à mão e está repleto de observações e enigmas interessantes. Hensher observa na introdução que não consegue reconhecer a caligrafia dos seus amigos mais íntimos e que nunca viu textos escritos à mão por eles.
Mas o que ele enfatiza no livro é como é breve e infeliz a história da escrita à mão. Antes da revolução industrial, a habilidade era restrita à elite. Com o desenvolvimento do comércio, uma classe de trabalhadores passou a frequentar escolas de caligrafia para escrever de maneira clara, correta e com rapidez.
A primeira escola de caligrafia teve como modelo o ensino da gravura e os alunos eram incentivados a contemplar formas bem definidas de escrita, como “um ‘o’ perfeitamente redondo”. Depois surgiram outras formas de ensino, como o método Palmer, de estilo cursivo. Hoje ele parece rebuscado, mas seu objetivo na verdade era desenvolver a rapidez e a naturalidade.
As informações históricas são fascinantes e têm um ponto em comum. Toda inovação da escrita manual teve por finalidade aprimorar a velocidade e clareza da comunicação humana. E é aí que a quixotesca defesa de Hensher tropeça. Pois o que é mais rápido e mais claro do que digitar? Não é mais fácil entender e prestar atenção quando você está diante de um texto bem definido como este? A escrita à mão não é a maneira mais clara de comunicação quando o objetivo é expressar o que temos em mente e sermos compreendidos.
Isso significa que a única defesa da escrita à mão é nostálgica. Ainda hoje é maravilhoso receber uma carta que foi fisicamente tocada e trabalhada pelo remetente. Talvez as mesmas pessoas que condenam a era digital em breve adotarão a escrita à mão em massa. Eu certamente vou continuar escrevendo bilhetes assim de vez em quando. Mas é preciso admitir: cultivar a caligrafia será um hobby como o tricô. Nossos filhos precisam aprender a escrever na escola, mas provavelmente não precisarão escrever à mão.
Hensher conclui com um apelo para mantermos viva a escrita à mão. “Continuar diminuindo o espaço da escrita à mão nas nossas vidas é diminuir, de maneira limitada, mas real, a nossa humanidade”, diz. Num mundo em que a digitação predomina, talvez nossa humanidade fique ainda mais aparente: seremos julgados não pela habilidade manual com uma caneta, mas pelo que dizemos. /TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO
Fonte: http://blogs.estadao.com.br/link/o-fim-da-caneta/
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